48 políticos investigados na Lava Jato que perderão foro privilegiado se não se reelegerem
Mumbai
Ahmedabad
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| Foto: DR |
Quarenta e oito políticos com foro privilegiado que estão sendo
investigados ou foram denunciados na operação Lava Jato correm o risco de ter
seus casos enviados à primeira instância caso não consigam se reeleger em
outubro.
A BBC Brasil listou os políticos que estão na mira da força-tarefa mas
que, por terem foro privilegiado, respondem em cortes superiores, onde o
andamento dos processos costuma ser mais lento. Boa parte do grupo deverá
tentar a reeleição, o que garantiria a manutenção do foro privilegiado.
A lista inclui o presidente Michel Temer, três governadores, dez
senadores e 34 deputados federais.
Não estão na lista políticos citados em delações da Lava Jato, mas que
tiveram os processos arquivados ou desvinculados da operação, nos casos em que
a Justiça avaliou que as denúncias não tinham relação com o desvio de recursos
da Petrobras.
Caso os políticos não se reelejam e percam o foro, seus casos podem ser
enviados a juízos de primeira instância, entre as quais a 13ª Vara Criminal
Federal de Curitiba, onde atua o juiz Sérgio Moro, responsável por grande parte
das condenações na Lava Jato.
Os casos de personagens sem foro privilegiado estão indo a julgamento
mais rápido – políticos como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o
ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) já tiveram, inclusive, suas condenações
confirmadas em segunda instância.
Eles poderão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao próprio
STF, mas, de acordo com o atual entendimento dos ministros do Supremo, a
confirmação da sentença na segunda instância já é suficiente para que o
condenado seja preso. Foi por isso que Lula, por exemplo, acabou preso neste
mês.
Por enquanto, nenhum caso da Lava Jato foi julgado pelo STF, que tem uma
longa fila de processos para julgar. Defensores do foro afirmam, porém, que ser
ter o caso analisado diretamente pela mais alta corte do país acaba não sendo
necessariamente um privilégio, já que, uma vez condenado, o réu só pode
recorrer dentro da própria corte.
Entre o STJ e o STF
O presidente da República, o vice-presidente, deputados federais,
senadores e ministros só podem ser julgados pela última instância, o STF, e não
por cortes inferiores enquanto estiverem nos cargos. Governadores respondem na
segunda corte mais alta, o STJ.
A lista elaborada pela BBC Brasil não contempla quatro governadores
envolvidos na operação que já perderam o foro ao renunciar para concorrer a
outros cargos em outubro: Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Beto Richa (PSDB-PR),
Marconi Perillo (PSDB-GO) e Raimundo Colombo (PSD-SC). Todos negam
ilegalidades.
No caso do ex-governador paulista, seu caso foi retirado do escopo da
Lava Jato e enviado para o Tribunal Regional Eleitoral do Estado, enquanto os
demais aguardam uma definição. Condenações por crimes eleitorais costumam gerar
penas menores que as da Justiça convencional.
Prefeitos, governadores e presidente da República que queiram concorrer
a cargos diferentes dos que ocupam devem renunciar até seis meses antes da
eleição. É o caso de Alckmin, que pretende se candidatar à Presidência, e de
Richa, Perillo e Colombo, que devem concorrer ao Senado.
A legislação também requer que renunciem até seis meses da eleição
candidatos que sejam servidores ou tenham cargos de confiança em órgãos
públicos, como ministros e secretários.
Quatro ministros do governo Michel Temer investigados na Lava Jato não
renunciaram a tempo de se candidatar em outubro e só não perderão o foro
privilegiado caso continuem em cargos de confiança no próximo governo: Eliseu
Padilha (MDB-RS), da Casa Civil, Gilberto Kassab (PSD-SP), da Ciência e
Comunicações, Helder Barbalho (MDB-PA), da Integração Nacional, e Moreira
Franco (MDB -RJ), da Secretaria-Geral da Presidência.
Confira a lista dos políticos envolvidos na operação que podem perder o
foro privilegiado se não se elegerem em outubro:
Presidente
Michel Temer (MDB-SP)
Governadores
Renan Filho (MDB-AL)
Robinson Faria (PSD-RN)
Fernando Pimentel (PT-MG)
Senadores
Aécio Neves (PSDB-MG)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Edison Lobão (MDB-MA)
Eunício Oliveira (MDB-CE)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Humberto Costa (PT-PE)
Ivo Cassol (PP-RO)
Renan Calheiros (MDB-AL)
Romero Jucá (MDB-RR)
Valdir Raupp (MDB-RO)
Deputados federais
Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)*
Alfredo Nascimento (PR-AM)
Anibal Ferreira Gomes (MDB-CE)
Antônio Brito (PSD-BA)
Andres Sanchez (PT-SP)
Arlindo Chinaglia (PT-SP)
Arthur Maia (PPS-BA)
Beto Mansur (PRB-SP)
Cacá Leão (PP-BA)
Carlos Zarattini (PT-SP)
Celso Russomanno (PRB-SP)
Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)
Fábio Faria (PSD-RN)
Heráclito Fortes (PSB-PI)
José Carlos Aleluia (DEM-BA)
José Mentor (PT-SP)
José Otávio Germano (PP-RS)
Lázaro Botelho Martins (PP-TO)
Lúcio Vieira Lima (MDB-BA)
Luiz Fernando Faria (PP-MG)
Marco Maia (PT-RS)
Maria do Rosário (PT-RS)
Mário Negromonte Jr. (PP-BA)*
Milton Monti (PR-SP)
Missionário José Olímpio (DEM-SP)
Ônyx Lorenzoni (DEM-RJ)
Roberto Balestra (PP-GO)*
Rodrigo Garcia (DEM-RJ)
Rodrigo Maia (DEM-RJ)
Sandes Júnior (PP-GO)
Vander Loubet (PT-SP)
Vicentinho (PT-SP)
Yeda Crusius (PSDB-RS)
Waldir Maranhão (PSDB-MA)*
A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu o arquivamento das
investigações sobre os deputados, mas o pleito ainda não foi analisado pelo
STF.
Fonte:
Folha de São Paulo
Tags:
Política
