Com Lula preso, defesa entra com último recurso no TRF-4 sobre embargos negados no caso do triplex
Mumbai
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou nesta
terça-feira (10) com recurso sobre os embargos de declaração que foram negados
por unanimidade pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) em
julgamento no dia 26 de março, em Porto Alegre. É a última possibilidade de
recurso do ex-presidente na segunda instância no caso do triplex em Guarujá
(SP). Antes disso, porém, o mandado de prisão foi expedido, e Lula cumpre pena
em Curitiba desde sábado (7).
Ahmedabad
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| Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo |
Os desembargadores podem ou não aceitar os argumentos, mas o recurso não
tem poder de mudar o resultado da sentença no TRF-4. O tribunal condenou o
ex-presidente a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.
A defesa pede "que sejam conhecidos e acolhidos estes segundos
embargos de declaração para o fim de suprir as omissões e obscuridades"
que vêm sendo apontadas desde o primeiro recurso.
Também pede que seja "reconhecida a atipicidade da conduta com
relação ao delito de corrupção passiva", e que documentos que comprovam a
inocência de Lula sejam apreciados, "a menos que aqui o que menos importe
seja a inocência!", conforme consta no documento. Leia na íntegra.
Decisão da madrugada do dia 5 de abril do Supremo Tribunal Federal (STF)
negou habeas corpus preventivo a Lula e permitiu que ele começasse a cumprir
pena após encerrados os recursos no TRF-4. Com a liminar, os advogados queriam
impedir a prisão do ex-presidente até que ele fosse julgado na última
instância.
No fim da tarde do mesmo dia, o TRF-4 encaminhou ao juiz federal Sérgio
Moro, na primeira instância, em Curitiba, o ofício com a autorização para a
execução da pena.
Após o envio do ofício, Moro determinou a prisão de Lula até as 17h de
sexta-feira (6) para se apresentar voluntariamente à Polícia Federal em
Curitiba, conforme decisão do juiz. Após protestos de apoiadores, o
ex-presidente se entregou na noite de sábado (7).
Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por ter
recebido o imóvel no litoral paulista como propina dissimulada da construtora
OAS. Em troca, ele teria favorecido a empresa em contratos com a Petrobras. O
ex-presidente nega as acusações e se diz inocente.
Instâncias
superiores
Esgotadas as possibilidades de recurso no TRF-4, a defesa de Lula ainda
poderá recorrer contra a condenação nos tribunais superiores: o Superior
Tribunal de Justiça (STJ) e o STF.
Antes de chegar a Brasília, os recursos especiais (STJ) e
extraordinários (STF) são submetidos à vice-presidência do TRF-4, responsável
pelo juízo de admissibilidade – uma espécie de filtro de acesso às instâncias
superiores.
Se for o caso, os autos serão remetidos ao STJ que, concluindo o
julgamento, pode remeter o recurso extraordinário ao STF.
No STJ, poderá ser apresentado recurso especial se a defesa apontar
algum aspecto da decisão que configure violação de lei federal, como o Código
Penal ou de Processo Penal. No STF, caberá recurso extraordinário se os
advogados apontarem que a decisão do TRF-4 viola a Constituição.
Caso Lula esteja preso nessa fase de recursos, a defesa poderá também
pedir a esses tribunais superiores a soltura do ex-presidente, para que ele
recorra em liberdade.
Candidatura de Lula
Confirmada a condenação e encerrados os recursos na segunda instância
judicial, Lula fica inelegível pela Lei da Ficha Limpa.
Entretanto, na esfera eleitoral, a situação do ex-presidente será
decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deverá analisar um
eventual registro de candidatura do ex-presidente – o que deve acontecer no
segundo semestre deste ano.
O PT tem até 15 de agosto para protocolar a candidatura. O TSE tem até o
dia 17 de setembro para aceitar ou rejeitar a candidatura de Lula.
O ex-presidente pode ainda fazer um pedido de liminar (decisão
provisória) ao TSE ou a um tribunal superior que permita a ele disputar as
eleições de 2018. A Lei da Ficha Limpa prevê a possibilidade de alguém
continuar disputando um cargo público, caso ainda haja recursos contra a
condenação pendentes de decisão.
Fonte: G1
Tags:
Política
