Diretores, coordenadores e agentes afastados são suspeitos de facilitar entrada de celulares nos presídios do CE, diz MPCE
Mumbai
Ahmedabad
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| Durante operação, policiais apreenderam armas de fogo com os suspeitos (Foto: MPCE/Divulgação) |
Os servidores afastados de "cargos estratégicos" da Secretaria
da Justiça, responsável pelo sistema prisional no Ceará, são suspeitos de
formar uma organização para facilitar a entrada de celulares nos presídios e
dificultar as fiscalizações nas unidades prisionais, conforme o Ministério
Público do Estado.
Os servidores afastados são agentes penitenciários e diretores de
unidades prisionais. Dois deles foram presos em flagrante por porte ilegal de
arma de fogo durante operação realizada nesta segunda-feira (12). As armas
foram apreendidas na residência dos suspeitos, quando promotores e policiais
cumpriam mandados de busca e apreensão.
Os responsáveis também recebiam dinheiro de presos para mudar os
internos de celas, conforme a vontade dos presos.
O afastamento é de 60 dias. Nesse período, o Ministério Público vai
apurar os indícios dos crimes; caso sejam confirmadas as suspeitas, o
Ministério Público afirma que vai denunciar o grupo.
"Os suspeitos participavam ativamente da tomada de decisões
relevantes no sistema penitenciário, buscando a nomeação de integrantes do
grupo em cargos importantes, bem como o afastamento de pessoas alheias à
associação criminosa de funções de direção da Sejus", afirma o Ministério
Público.
"Um dos objetivos era manipular a fiscalização sobre as unidades
prisionais quando realizada por parte de autoridades competentes",
continua o órgão.
A maior parte dos crimes de homicídio no Ceará têm presos com acesso a
celulares como mandantes dos assassinatos, conforme a Secretaria de Segurança
Pública e Defesa Social. Na semana passada, uma operação identificou e cumpriu
mandados de prisão contra 45 mandantes de crimes que já estão presos.
Em nota, a Secretaria da Justiça do Ceará afirmou que é a
"principal interessada" no caso e diz que cumpriu a determinação
judicial de afastamento de sete agentes penitenciários suspeitos de atuação na
organização criminosa.
Afastados na
operação:
Edmar de Oliveira Santos, agente penitenciário e coordenador da
Coordenadoria do Sistema Penal (preso por porte ilegal de arma de fogo);
Celso Murilo Rebouças de Mendonça, agente penitenciário e coordenador
adjunto da Coordenadoria do Sistema Penal;
Herlano Walquer Falcão Macieira, agente penitenciário e diretor da Casa
de privação provisória de Liberdade II (preso por porte ilegal de arma de
fogo);
Paulo Ednardo Oliveira de Carvalho, agente penitenciário e coordenador
de Patrimônio da Secretaria de Justiça e Cidadania;
João Augusto de Oliveira Neto, agente penitenciário;
Mauro César Ximenes Andrade, agente penitenciário e diretor adjunto da
Casa de Privação Provisória de Liberdade I;
Francisca Celiane de Almeida Celestino, agente penitenciária e diretora
do Centro de Triagem e Observação Criminológica (CETOC).
iPhone a R$ 1.000
A operação realizada nesta segunda-feira leva o nome de Masmorras Abertas,
em referência ao "fácil acesso" de presos aos celulares, o que lhes
permite comunicação com "parceiros do crime e agentes
penitenciários".
Os celulares inclusive eram vendidos entre os presos. Um telefone do
modelo iPhone valia até R$ 1.000. Os valores eram depositados na conta do
vendedor por familiares do preso que comprava o aparelho, conforme o Ministério
Público.
"Muitos agentes penitenciários estavam envolvidos em atos de
corrupção, notadamente na entrada de celulares, armas e objetos ilícitos",
afirma o coordenador da operação, promotor Humberto Oliveira.
"Estamos fazendo uma assepsia, fazer com que o sistema funciona,
eliminando ou pelo menos que a gente minore as consequências nefastas das
práticas de corrupção, que são praticadas de forma contumaz", diz o
promotor de justiça de Itaitinga, onde foi realizada a operação, Luís Bezerra.
Segundo o Ministério Público, foram realizadas interceptações
telefônicas com autorização da Justiça, e análise de investigações preliminares
instauradas na Controladoria Geral de Disciplina (CGD).
Os servidores afastados também são suspeitos de associação criminosa,
inserção de informações falsas no sistema de informação da Secretaria da
Justiça, corrupção passiva, omissão na fiscalização de entrada de celulares e
material proibido nos presídios e violação de sigilo profissional.
A investigação do MPCE foi iniciada em maio de 2016, logo após a crise
no sistema penitenciário. Naquele ano, o Ceará registrou uma sequência de fugas
e rebeliões nos presídios, após uma greve dos agentes penitenciários.
Os trabalhos avançaram em dezembro de 2017, com a representação dos
suspeitos, após a formalização de um Termo de Cooperação Técnica entre o MPCE e
a CGD.
Tortura de presos
Outro crime apontado pelo Ministério Público é que a organização
criminosa formada por agentes e diretores das unidades torturavam os presos.
Quando os internos denunciavam os casos, nada era feito para apurar e
responsabilizar os criminosos.
Fonte:
G1
Tags:
Ceará
