Governo Federal quer libertar até 50 mil presos, começando pelo Ceará
Mumbai
Com Agência Brasil
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| Foto: Reprodução |
O Ministério Extraordinário da Segurança Pública fará mutirão em
parceria com as Defensorias Públicas dos Estados e da União. O objetivo é
diminuir a superlotação nos presídios. Assim, presos provisórios por crimes não
hediondos ou equiparados podem ser soltos por progressão de pena. A ação,
divulgada nesta terça-feira, 24, deve começar pelo Ceará, em junho, onde dois
terços da população carcerária é formada por presos provisórios.
Até 50 mil detentos devem ter processos analisados, cerca de 7% da
população carcerária do País. A proposta foi apresentada pelo Colégio Nacional
de Defensores Públicos Gerais (Condege) e aprovada pelo ministro Raul Jungmann.
Presos provisórios há mais de seis meses por crimes não hediondos e
equiparados terão casos analisados. Defensores vão peticionar a liberdade. Os
defensores pedirão progressão de pena dos condenados que têm direito ao
benefício.
"É melhor colocá-los no semi-aberto, com tornozeleiras ou penas
alternativas do que jogar esses jovens na mão do crime organizado, de onde eles
jamais sairão", aponta Jungmann.
Defensora pública geral do Estado, Mariana Lobo destacou que a população
carcerária do Ceará tem média de 66% de presos provisórios, enquanto no Brasil
a média é de 40%. Os números são do Levantamento Nacional de Informações
Penitenciárias (Infopen). O sistema prisional cearense tem ainda a segunda taxa
mais elevada de superlotação, com 309%.
"É uma ação de interesse da sociedade. Grupo de 45 defensores
públicos de várias partes do País vão compor o mutirão, junto a defensores
locais. Ao todo, equipe de 65 profissionais devem analisar os casos desses
detentos (condenados que tenham direito a progressão de regime e presos
provisórios há mais de 180 dias por crimes não hediondos ou equiparados)",
explicou Mariana, reforçando que o intuito é reduzir a população carcerária.
No País
Depois do Ceará, Goiás e Pará devem receber o mutirão, em agosto e
setembro, segundo o cronograma apresentado pelos defensores. A iniciativa deve
seguir até dezembro.
“Nesses três estados faremos um esforço muito grande para contribuir
para a melhora do sistema prisional”, disse o vice-presidente do Condege, André
Castro. Segundo ele, o calendário deverá ser estendido para outros estados,
conforme avaliação técnica que será realizada pela defensoria pública em
parceria com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen).
“Hoje, temos uma superpopulação carcerária, que transforma os nossos
presídios em arenas de conflitos, que terminam em massacres. É preciso também
que aqueles que já cumpriram a pena e poderiam estar fora venham a sair.
Fazendo isso estamos reduzindo o deficit de vagas no sistema prisional e outros
que tenham cometido crimes considerados hediondos poderão entrar”, defendeu
Jungmann.
Nos últimos dois anos, o programa Defensoria sem Fronteiras do Condege
fez mutirões nos estados do Amazonas, Roraima, Rondônia e Rio Grande do Norte.
Em todos eles, após o mutirão, houve redução do número de presos.
Relatórios
Jungmann pediu aos governadores de todos os estados um relatório sobre a
situação dos presídios e da violência em cada estado. As unidades da federação
que não repassarem os dados vão ficar sem receber recursos da União
“Não vamos passar dinheiro sem haver um compromisso dos estados. É o que
chamamos de contrato de gestão. Queremos melhorias, redução dos índices de
violência, de homicídios, melhores formação de profissionais”, diz o
ministro.
Com Agência Brasil
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