Justiça impede comitiva de governadores de visitar Lula na prisão
Mumbai
Ahmedabad
![]() |
| Foto: William Bittar / CBN Curitiba |
Duas vans com nove governadores que pretendiam fazer uma
visita à Lula chegaram à superintendência da Polícia Federal em Curitiba na
tarde desta terça-feira (10). A comitiva chegou a entrar na sede da PF, mas não
pode visitar o ex-presidente. No início da tarde, a juíza federal substituta
Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal, negou o pedido de visita.
“Eu fiquei surpreso com o fato de não termos conseguido
que o ex-presidente Lula tivesse um direito respeitado, assegurado na Lei de
Execuções Penais. Infelizmente mais uma decisão inexplicável, que foi tida como
uma espécie de privilégio”, disse o governador do Maranhão, Flávio Flávio Dino.
Segundo a presidente do PT, a senadora Gleisi Hofmann,
com a visita negada, os governadores fizeram uma carta que será entregue a
Lula:
“Foi uma demonstração de respeito, de carinho.
Infelizmente um direito foi tido como privilégio, o que a gente acha
inexplicável. E a carta foi um gesto muito bonito que eu acho que o Lula vai
ficar bem feliz”, disse.
O governador da Bahia, Rui Costa, reforçou o apoio ao
ex-presidente: “estamos aqui para prestar solidariedade ao maior presidente da
história do Brasil… porque ele não cometeu nenhum crime, não tem prova alguma”,
afirmou.
Participam do movimento os governadores Waldez Góes
(PDT), do Amapá; Tião Viana (PT), do Acre; Renan Filho (MDB), de Alagoas;
Camilo Santana (PT), do Ceará; Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão; Ricardo
Coutinho (PSB), da Paraíba; Wellington Dias (PT), do Piauí; Paulo Câmara (PSB),
de Pernambuco; e Rui Costa (PT), da Bahia, além dos senadores Lindbergh Farias
(PT), Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (MDB).
Pedido
negado
A juíza federal substituta Carolina Lebbos, da 12ª Vara
Federal, negou o pedido de visita. Na decisão ela considerou que “não há
fundamento para a flexibilização do regime geral de visitas próprio à
carceragem da Polícia Federal” e indeferiu o requerimento considerando que
“deverá ser observado o regramento geral” pois é “incabível a visitação das pessoas indicadas
na petição”.
“Além do recolhimento em Sala do Estado Maior, foi
autorizado pelo juiz a disponibilização de um aparelho de televisão para o
condenado. Nenhum outro privilégio foi concedido, inclusive sem privilégios
quanto a visitações, aplicando-se o regime geral de visitas da carceragem da
Polícia Federal, a fim de não inviabilizar o adequado funcionamento da
repartição pública, também não se justificando novos privilégios em relação aos
demais condenados”, citou na decisão.
Os governadores chegaram a entrar na sede da PF, mas
foram impedidos de fazer a visita. Do lado de fora, no acampamento em apoio a Lula
que reúne mais de mil pessoas, conversaram com a imprensa.
Pedido
Judicial
O senador Roberto Requião (MDB) entrou com um pedido na
Justiça para ter o direito de visitar o ex-presidente, que está detido desde
sábado (7) na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. Lula foi
condenado a 12 anos e um mês de prisão no âmbito da Operação Lava Jato, no caso
do triplex do Guraujá (SP).
O pedido é endereçado ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª
Vara Federal, mas foi direcionado à juíza federal substituta Carolina Lebbos,
da 12ª Vara Federal, especialidade em execução penal. A visita seria feita na
tarde desta terça-feira (10). Outros onze governadores estão inclusos no
pedido.
A petição foi feita pelo advogado do senador, Luiz
Fernando Delazari, que diz que Requião conta com a “boa vontade” da juíza, já
que se trata de um pedido coletivo das autoridades políticas.
Críticas
à prisão
Nesta segunda-feira (9), no Senado, Requião criticou em
Plenário a condenação e a prisão do ex-presidente.
Segundo o senador, Lula foi condenado injustamente e foi
preso de forma contrária aos preceitos constitucionais. Ele mencionou a
possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) voltar a analisar as prisões
após a condenação de segunda instância, antes de esgotados todos os recursos
judiciais, como é o caso de Lula.
Roberto Requião disse que o ex-presidente não está “acima
da lei”, mas também não pode estar “abaixo dela”. Ao se referir à prisão de
Lula, ocorrida no fim de semana, o senador lembrou que a Constituição não pode
ser modificada “por vontade de juízes”, mas apenas por decisão do Congresso
Nacional, depois de ampla discussão nacional.
“Acredito que o Supremo Tribunal Federal vai validar a
Constituição. Senão, estaria se transformando num tribunal de arbítrio. E, daí,
teríamos de tomar providências. Não se trata de revanche, mas se trata da
defesa do Estado de Direito e da defesa do próprio Congresso”, disse, afirmando
ainda esperar que ministra Rosa Weber, do Supremo, confirme a opinião já
expressa anteriormente quanto à prisão antes do chamado trânsito em julgado.
Fonte:
Paraná Portal
Tags:
Política
