Transposição: contas de água poderão ficar de 5% a 21% mais caras
Mumbai
Ahmedabad
O Ministério da
Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), divulgou um relatório
revelando que a felicidade do povo ligada a transposição do Rio São Francisco,
estão prestes a acabar. O grande problema apontado pelo estudo é a falta de
sustentabilidade do sistema. Entenda por falta de sustentabilidade a pouca
clareza sobre quem pagará a conta da operação. A notícia ruim é que a operação
do sistema, principalmente com a conta de energia elétrica, poderá chegar a R$
800 milhões, a serem rateados pelos municípios de Pernambuco, Paraíba, Ceará e
Rio Grande do Norte.
O impacto nas contas
de água dos moradores destes estados poderá chegar a 21%. O montante ainda não
é cobrado e nem repassado para a população. A previsão é que isso ocorra após a
completude da iniciativa. O Projeto de Integração do Rio São Francisco
(PISF) está orçado, atualmente, em R$ 10,7 bilhões, mas a previsão é a de
que este montante seja dobrado até o fim da obra. A iniciativa, no seu
projeto original, previa a oferta de água para 12 milhões de habitantes, em 390
municípios, nos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Pelas simulações
apresentadas, verifica-se que o custo de energia para o bombeamento
poderá variar entre R$ 0,10/ m3, em um cenário otimista, a
R$ 0,46/m3, em um cenário pessimista. O repasse destes custos para as
tarifas de saneamento considerando perdas de 50% no setor de saneamento,
3% de perdas elétricas e 25% de impostos representarão aumentos variando
entre 5% no cenário mais otimista a 21% no cenário mais pessimista. Os
valores a serem arcados pelos quatro estados poderão ascender a cerca de
R$ 800 milhões anuais considerando o cenário pessimista.
Riscos
De acordo com o
relatório, outros riscos de viabilidade ocasionados pelo custo de aquisição de
energia são: falta de conhecimento especializado no mercado; falta de
planejamento de longo prazo, devido à imprevisão do cronograma de entregas; e
ausência de estudos quanto ao uso de autoprodução (energias alternativas).
Com relação à
desestatização do Projeto, o MI já apresentou à Presidência da República pedido
de avaliação da possibilidade de inclusão do PISF no Programa de Parcerias de
Investimentos. Entretanto, a premissa de que a operação e manutenção deverá ser
marcada integralmente pelos clientes-Estados, sem concessão de subsídios
federais, pode não ser realista por pressupor que ele seja de fato
autossustentável. A interpretação rígida dessa premissa, sem análise prudente
de todas as variáveis de custo e receita, pode não se concretizar e ocasionar o
abandono de uma obra de custo monumental e de significativo impacto no
desenvolvimento regional.
Acompanhamento sistemático
A CGU monitora o PISF
desde o seu início, em 2007, com vistas a contribuir para que as obras e ramais
associados do empreendimento sejam realizados de acordo com as especificações
do projeto (garantia de qualidade), dentro do prazo e custo contratados.
Somente no ano passado, foram executados quatro trabalhos de auditoria sobre as
obras de integração do Rio São
Francisco.
Fonte:
Jornal da Paraíba
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