TRF-4 nega último recurso de Lula no caso do triplex em Guarujá
Mumbai
Ahmedabad
![]() |
| Lula em carro da Polícia Federal em São Paulo (Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo) |
O último recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tribunal
Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) foi negado nesta quarta-feira (18) em
Porto Alegre. Os desembargadores da 8ª Turma mantiveram a condenação de 12 anos
e um mês de prisão, da decisão de 24 de janeiro, no caso do triplex em Guarujá
(SP). Lula está preso desde 7 de abril em Curitiba.
"Depois de analisar todas as ponderações da defesa, é manifesta a
inadmissibilidade dos embargos. Não se pode que a defesa busque rediscussão de
aspectos já julgados", declarou o juiz Nivaldo Brunoni em seu voto. Os
desembargadores Victor Laus e Leandro Paulsen o acompanharam na decisão.
O advogado Cristiano Zanin pediu, no começo do julgamento, que o recurso
fosse julgado pelo desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Turma, que
está de férias. Quem o substitui é Brunoni. Esse pedido da defesa também foi
negado.
A defesa do ex-presidente ainda pode recorrer contra a condenação ao
Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
"Os recursos serão interpostos no prazo legal", afirmou Zanin.
"Nós temos medidas pendentes de julgamento, estamos aguardando o
resultado e temos outras medidas que serão apresentadas tanto para impugnar a
condenação e também para impugnar a privação da liberdade que foi imposta ao
ex-presidente Lula precipitadamente nesse processo", completa.
O ex-presidente se entregou à Polícia Federal um dia após o prazo
estabelecido, a partir do mandado de prisão. O TRF-4 encaminhou ao juiz federal
Sérgio Moro, na primeira instância, em Curitiba, o ofício com a autorização
para a execução da pena no fim da tarde 5 de abril.
Após o envio do ofício, Moro determinou a prisão de Lula até as 17h de
sexta-feira (6) para se apresentar voluntariamente à PF em Curitiba, conforme
decisão do juiz. Após protestos de apoiadores, o ex-presidente se entregou na
noite de sábado (7). A defesa ainda não havia entrado com o último recurso na
segunda instância.
Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por ter
recebido o imóvel no litoral paulista como propina dissimulada da construtora
OAS. Em troca, ele teria favorecido a empresa em contratos com a Petrobras. O
ex-presidente nega as acusações e se diz inocente.
Os advogados de Lula pediam que fossem conhecidos e acolhidos os
embargos dos embargos "para o fim de suprir as omissões e
obscuridades" que vêm sendo apontadas pela defesa desde o primeiro
recurso.
Também pediam que fosse "reconhecida a atipicidade da conduta com
relação ao delito de corrupção passiva", e que documentos que comprovam a
inocência de Lula fossem apreciados.
Instâncias superiores
A defesa de Lula ainda poderá recorrer contra a condenação nos tribunais
superiores: o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o STF.
Antes de chegar a Brasília, os recursos especiais (STJ) e
extraordinários (STF) são submetidos à vice-presidência do TRF-4, responsável
pelo juízo de admissibilidade – uma espécie de filtro de acesso às instâncias
superiores.
Se for o caso, os autos serão remetidos ao STJ que, concluindo o
julgamento, pode remeter o recurso extraordinário ao STF.
No STJ, poderá ser apresentado recurso especial se a defesa apontar
algum aspecto da decisão que configure violação de lei federal, como o Código
Penal ou de Processo Penal. No STF, caberá recurso extraordinário se os
advogados apontarem que a decisão do TRF-4 viola a Constituição.
Caso Lula continue preso nessa fase de recursos, a defesa poderá também
pedir a esses tribunais superiores a soltura do ex-presidente, para que ele
recorra em liberdade.
Candidatura de Lula
Confirmada a condenação e encerrados os recursos na segunda instância
judicial, Lula fica inelegível pela Lei da Ficha Limpa.
Entretanto, na esfera eleitoral, a situação do ex-presidente será
decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deverá analisar um
eventual registro de candidatura do ex-presidente – o que deve acontecer no
segundo semestre deste ano.
O PT tem até 15 de agosto para protocolar a candidatura. O TSE tem até o
dia 17 de setembro para aceitar ou rejeitar a candidatura de Lula.
O ex-presidente pode ainda fazer um pedido de liminar (decisão
provisória) ao TSE ou a um tribunal superior que permita a ele disputar as
eleições de 2018. A Lei da Ficha Limpa prevê a possibilidade de alguém
continuar disputando um cargo público, caso ainda haja recursos contra a
condenação pendentes de decisão.
Dois recursos negados em processo de propina da Odebrecht
Nesta mesma sessão, outros dois recursos de Lula foram negados por
unanimidade. Em um deles, a defesa entrou com embargos de declaração após os
desembargadores da 8ª Turma negarem o pedido de suspeição do juiz Sérgio Moro,
responsável pelo caso na primeira instância, em 28 de fevereiro.
O processo trata de supostas vantagens indevidas recebidas pelo petista,
como o apartamento vizinho ao que ele vive em São Bernardo do Campo (SP) e um
terreno que seria destinado ao Instituto Lula.
Segundo a força-tarefa da Lava Jato, os imóveis foram adquiridos pela
empreiteira e repassados ao ex-presidente em troca de favorecimento em
contratos da empresa com a Petrobras. Lula nega as acusações.
A defesa de Lula também entrou com recurso contra o uso das cópias de
dados do sistema Drousys, ao qual funcionários da Odebrecht tinham acesso e
que, segundo a Operação Lava Jato, continham informações sobre pagamentos de
propina.
O uso do programa foi revelado pela delatora da Lava Jato Maria Lúcia
Tavares, que era responsável dentro do Setor de Operações Estruturadas da
Odebrecht por gerenciar requerimentos de propina e repassá-los aos
entregadores, que por sua vez fariam chegar os recursos aos destinatários
finais.
As comunicações eram feitas justamente através do Drousys, cujo servidor
ficava na Suíça.
Conforme a denúncia, o valor da propina paga a Lula até novembro de 2012
foi de R$ 12.422.000, correspondente somente ao imóvel do Instituto Lula.
Fonte: G1
Tags:
Política
