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Volume de chuva só garante água para um ano no Ceará, diz secretário

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O volume chuvoso no primeiro quadrimestre do ano já é o melhor dos últimos sete anos no Ceará. Este abril atingiu o recorde da década com volume de chuva. Secretário dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira falou ao O POVO sobre o cenário atual período no Estado. Ele destaca que tivemos um importante aumento no abastecimento, mas que ainda não saímos da crise hídrica.

Francisco Teixeira -
Secretário dos Recursos Hídricos.
Foto: Mauri Melo
Ele explica que estamos com 16% da capacidade e que o ideal seria estarmos com mais de 30%. “Mas, de qualquer maneira, é uma quantidade que ameniza muito a situação crítica das cidades no Interior”, explica. E avisa que a tarifa de contingência na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) continuará. “Porque o sistema metropolitano deu uma recuperadinha, mas só temos água pra atravessar o ano, possivelmente”. (Isaac de oliveira)

O POVO: Como o Estado está avaliando esses três primeiros meses de quadra chuvosa?

Francisco Teixeira: A avaliação é que a gente conseguiu acumular uma reserva pra escapar mais um ano. Não tivemos aquele nível de armazenamento pra sair da crise totalmente. Dizer que o Castanhão encheu, o Orós, o Banabuiú, o sistema metropolitano e temos água pra cinco anos, não temos. Temos água pra mais um ano. Ano passado, por essa época, a gente estaria com 12% (da capacidade de reserva). Hoje estamos passando de 16%. Mas qualquer coisa abaixo de 30% a gente considera crítico. O ideal é ter 60% pra cima que dê uma zona confortável. De 30% pra baixo, a gente considera crítico, de 50% pra baixo, alerta. E aí nós não conseguimos sair dessa faixa crítica. Mas, de qualquer maneira, é uma quantidade que ameniza muito a situação crítica das cidades no Interior. A gente chegou a ter risco de colapso em 60 cidades numa determinada época ao longo dessa grande seca. Conseguimos evitar esse colapso, construindo mais de cinco mil poços, construindo adutoras de montagem rápida.

OP: Qual o planejamento pra esse ano?

Francisco Teixeira: Continuar com a mesma política que nós temos trabalhado desde quando o governador Camilo Santana assumiu o governo de 2015 até hoje. O grupo de contingência se reúne toda sexta-feira. A tarifa de contingência na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) vai ter que continuar, porque o sistema metropolitano deu uma recuperadinha, mas só temos água pra atravessar o ano, possivelmente. Temos que ter ajuda do Castanhão que, por sua vez, também pegou uma recarga, melhorou, mas não saiu da situação mais critica. Então é uma quantidade de água onde nós temos que fazer a gestão eficiente e eficaz que temos feito nesses últimos três anos e meio. Temos que trabalhar ainda a tarifa de contingência e continuar com as ações de diversificar as fontes hídricas. Agora mesmo o governador já botou pra funcionar um segundo sistema de bombeamento do Maranguapinho. O açude Maranguapinho vai atender tanto Maranguape como Maracanaú. Tem o sistema do açude do Cauípe, mais poços na região do Pecém, Cumbuco e Taíba, reúso da água que nós estamos começando a botar pra frente com Cogerh e Cagece, a planta de dessalinização da água do mar que a Cagece deverá começar as obras ainda este ano.

OP: Está em fase de estudo?

Francisco Teixeira: O estudo já vai ser recebido agora em maio pela Cagece e deverá ser posto em licitação por todo o resto desse ano. Tudo isso vai continuar tendo que acontecer porque nós vamos continuar vivendo em um Estado que sempre viveu e vai continuar vivendo com atenção especial na questão hídrica. Nós temos que ter a consciência que estamos numa região onde a água é escassa. Então, temos que apelar pra tudo, sobretudo, trabalhar com a boa gestão da demanda do uso da água, uma boa gestão da oferta e diversificar as fontes hídricas, ampliando a nossa infraestrutura.

OP: Como essas medidas podem contribuir?

Francisco Teixeira: Todas contribuem. São três pilares. A gente tem que ter um uso cada vez mais eficiente da água da irrigação. Não podemos plantar as culturas tradicionais que usam muita água, como banana, arroz. Temos que plantar culturas como caju, a mandioca, a batata doce, a macaxeira, que consomem menos água. Aproveitar, sobretudo, a chuva. No saneamento, diminuir as perdas que chegam a 40% pra um padrão abaixo de 30%. Isso é gestão da demanda. Na gestão da oferta, conduzir a água com maior eficiência. Não podemos conduzir tanto a água em rio, onde se perde muita água. Temos que conduzir dentro de adutoras. Na diversificação das fontes hídricas, que é o terceiro pilar, usar água subterrânea cada vez mais de forma racional e monitorada, fazer reuso, dessalinização de água do mar e transferir água da chuva, como nós estamos fazendo hoje, transferindo água do rio Banabuiú e do rio Jaguaribe, sem abrir o Castanhão. Estamos transferindo 15 metros cúbicos por segundo pra Fortaleza pra guardar água da chuva do rio Jaguaribe e Banabuiú nos açudes da Região Metropolitana.

OP: Como lidar com a má distribuição das chuvas?

Francisco Teixeira: O instrumento pra poder equilibrar essa má distribuição é transferir a água de uma região pra outra. Por enquanto, a gente tem condição de transferir pelo Canal do Trabalhador e Eixão das Águas, da bacia do Jaguaribe pra Fortaleza. No futuro, a gente pode fazer também uma integração da zona norte do Estado com Fortaleza pra poder trazer mais água.

OP: Tem alguma obra mais importante que depende do Governo Federal?

Francisco Teixeira: Tem a barragem Fronteira que o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) começou a construir lá em Crateús. Cinturão das Águas nós estamos fazendo com o Governo Federal pra garantir melhor Fortaleza com água da transposição. E a própria transposição que está meio lenta, mas o Ministério da Integração prometeu acelerar, retirando o consórcio que não estava dando conta e botando novo pra poder concluir a obra ainda este ano.

OP: Quanto o Estado vai investir nesta área neste ano?

Francisco Teixeira: Nós temos garantidos, R$ 98 milhões da União pro Cinturão das Águas, mas tamos pedindo mais R milhões pra poder dar mais celeridade às obras . O Estado já investiu mais de R$ 1,3 bilhão nesses três anos, só na questão de água. A gente pode dizer que 60% é da União e 40% do Estado.

OP: Qual a esperança pra maio?

Francisco Teixeira: Vamos aguardar, acompanhar dia a dia, semana a semana, o comportamento das chuvas. Mas maio as chuvas sempre diminuem.

Fonte: O Povo

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