Ceará é o 3º do País em número de analfabetos
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Ahmedabad
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| Foto: Tatiane Fortes |
O Ceará ainda não conseguiu ter um número inferior a um
milhão de analfabetos. Com 1.006.020 pessoas com mais de 15 anos nessa
condição, o Estado ocupa, em números absolutos, a 3ª posição nacional. Apenas
Bahia (1.524.293) e Minas Gerais (1.031.745) têm mais, ressaltando-se que são
unidades da federação com população maior.
Em termos relativos, o Ceará tem a 6ª pior taxa de
analfabetismo do País, com 14,2%. Isso significa que uma a cada nove pessoas
não sabe ler ou escrever. Os dados, referentes a 2017, são da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) e foram divulgados ontem pelo
Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).
Em relação a 2016, o Ceará apresentou evolução. Na
pesquisa anterior, o Estado aparecia com 47.980 analfabetos a mais e uma taxa
de 15,2%. Uma diminuição de 6,6%, que, no Nordeste, ficou atrás apenas do Rio
Grande do Norte (queda de 8,2%). No entanto, o índice estadual ainda é
equivalente a mais que o dobro do nacional, que registou uma taxa de 7% no
estudo divulgado ontem. Apesar de também ter melhorado 0,2 pontos percentuais
em relação ao ano anterior, o Brasil ainda não atingiu a meta 6,5% que deveria
ter sido batida em 2015, segundo estipulado pelo Plano Nacional de Educação. A
previsão, de acordo com o plano, é erradicar o analfabetismo no País até 2024.
Atualmente, o Brasil tem 11,5 milhões de analfabetos, cerca de 300 mil a menos
que em 2016. Alguns fatores são destacáveis ao olhar mais atentamente às
estatísticas. A maioria dessas pessoas se encontra nos intervalos etários mais
elevados. No Ceará, 87% dos analfabetos têm mais de 40 anos. Os que têm mais de
60 anos correspondem a quase metade (46%) do total de analfabetos.
Wilson Ramos, 48, passou muitos anos da vida dentro deste
perfil. Sem saber ler nem escrever, sem lugar para morar e com dependência em
álcool, ele superou muitas barreiras de uma vez só. “Vi muitos dos meus amigos
morrerem na rua e eu achava que seria o próximo. Até que eu resolvi que queria
estudar, estava cansado de colocar meu polegar, eu queria acabar com aquilo”,
diz. Há três anos ele estuda em programa de Educação para Jovens e Adultos, já
sabe escrever o próprio nome e não consome bebidas alcoólicas há mais de dez anos.
Todos os dias, Wilson trabalha fazendo entrega de água,
também recolhe materiais recicláveis, mora em um espaço cedido e frequenta a
escola três vezes por semana. Na calçada do comércio, ele mostra o material
escolar e as atividades semanais de leitura e escrita. “Eu estou desenvolvendo,
já consigo soletrar algumas palavras, mas quero ler bem para ler a bíblia.
Hoje, o que eu converso com as pessoas é o que meu pastor me fala, mas quero eu
mesmo poder ler a bíblia para alguém”, projeta. “A questão de a pessoa ser
alfabetizada não é uma questão de letramento é um resgate da cidadania”, afirma
Marco Aurélio Patrício, professor doutor em Educação e coordenador do curso de
Pedagogia da Uni7. Ele avalia que as pessoas com mais de 40 anos foram
influenciadas por uma política de telensino adotada entre as décadas de 1980 e
1990. “Devido a erros de estratégia de educação do passado, uma geração de
estudantes foi comprometida. Na época, o Estado comprou essa bandeira de não
ter reprovação. As pessoas eram aprovadas compulsoriamente. E, hoje, estamos
vendo nas estatísticas o resultado de políticas educacionais equivocadas”, diz.
Para Rejane Bezerra, doutora em Educação Profissional, um
dos elementos contribuintes para este número elevado é o acesso à educação para
jovens fora da faixa etária, principalmente em municípios distantes da Capital.
Ainda em relação às ações educacionais, a professora doutora ressalta que os
programas de inclusão de pessoas no grupo de maior índice de analfabetismo, acima
dos 40 anos, ainda são muito incipientes, tanto em nível nacional quanto
estadual.
Apesar de dados alarmantes, os dois profissionais da
educação acreditam que os atuais projetos no Ceará devem repercutir em melhores
índices em relação ao analfabetismo nas próximas décadas.
Secretário-adjunto da Educação do Município (SME),
Jefferson Maia ressalta que Fortaleza dispõe de 86 escolas que ofertam o
Programa de Ensino de Jovens e Adultos (EJA). “Fortaleza tem políticas
estruturadas que colaboram para que os bons resultados aconteçam. Mas não
acontecem da noite para o dia. É um público que no passado, por diversas
razões, não teve acesso e vem para tentar suprir essa necessidade”. IMPORTÂNCIA
DO PAIC
Sobre o número de um milhão de analfabetos no Estado,
Iane Nobre, coordenadora de gestão pedagógica da Secretaria Estadual da
Educação (Seduc), frisa que a pasta tem conseguido fortalecer o Programa de
Alfabetização na Idade Certa (Paic) como forma de zerar o número de pessoas que
chegam à idade adulta sem ler ou escrever.
Fonte:
O Povo
Tags:
Educação

