MP descobre que PCC treina detentas para fabricar bombas a serem usadas em ataques contra autoridades em todo o país
Mumbai
Ahmedabad
Uma investigação realizada pelo Ministério Público do
Estado de São Paulo (MP-SP) comprovou que a maior facção criminosa em atuação
no Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC), montou uma nova estrutura para
avançar agora nos presídios femininos brasileiros e até ensinar as detentas da
facção a produzir bombas, artefatos a serem utilizados em atentados a
autoridades, policiais e prédios públicos. Além disso, por ordem do comando da
facção, ao menos 100 assassinatos terioam sido praticados em 13 estados
brasileiros, incluindo o Ceará.
Conforme o MP-SP, o PCC montou uma espécie de “Setor de
Recursos Humanos” para recadastrar seus integrantes em todo o país e avançou
sobre as unidades penitenciárias que abrigam mulheres. O objetivo é torná-las
aptas para também atacar o sistema Penal, autoridades policiais e prédios
públicos sempre que a cúpula da organização determinar uma onda de ataques. Em
recente investigação, o órgão denunciou 70 homens e cinco mulheres por ataques
criminosos nos 13 estados.
Foi através de “grampos” telefônicos (escuta telefônica
devidamente autorizada pela Justiça), que os promotores descobriram os novos
“investimentos” do PCC no País. Cartas apreendidas em alguns presídios de São
Paulo também foram fundamentais para que os investigadores descobrissem as
ordens dos ataques e como eles deveriam ser praticados nos 13 estados no ano
passado. Segundo o MP-SP, tudo partiu de ordens de criminosos que fazem parte
da cúpula do PCC e que atualmente estão cumprindo pena na Penitenciária de
Presidente Venceslau, na Região Oeste de São Paulo.
Mortes
no Ceará
A denúncia do MP foi resultante da “Operação Echelon” e
formou um calhamaço de 569 páginas assinada pelo promotor de Justiça, Lincoln
Gajika. Ela mostra que após Marcos William Herbas Camacho, o “Marcola”, ser
internado em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), em dezembro de 2016, uma
cúpula interina passou a mandar no dia a dia da facção, inclusive ordenando
mortes de integrantes da própria organização criminosa por motivos diversos.
Foi o caso, por exemplo, no Ceará, onde dois bandidos
considerados da cúpula da organização foram executados em fevereiro passado,
numa emboscada cujo plano criminoso incluiu até a utilização de um helicóptero.
A morte dos traficantes Rogério Jeremias de Simone, o “Gegê do Mangue”; e de
Fabiano Alves de Sousa, o “Paca”, teria sido ordenada de dentro da
penitenciária.
Os dois homens foram executados sumariamente na tarde do
dia 16 de fevereiro na comunidade indígena Lagoa da Encantada, em Aquiraz, na
Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A dupla vinha tendo uma vida luxuosa
no Ceará.
Na semana passada, a Polícia capturou um bandido cearense
suspeito de ter participado da trama que resultou na morte de “Gegê do Mangue”
e de “Paca”. Trata-se de Valdimilson Ferreira Lima Júnior, o “Júnior Mombaça”.
Com
informações do jornalista Fernando Ribeiro
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