MPCE consegue suspensão de pagamentos milionários a Aprece e escritórios de advocacias com recursos do Fundef
Mumbai
O juiz Francisco Ireilton Bezerra Freire da Comarca de
Icó concedeu, na última quinta-feira (19/07), liminar requerida na terça-feira
(17/09) pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio da
Promotoria de Justiça de Icó, determinando a suspensão de um convênio celebrado
entre aquele Município e a Associação de Municípios e Prefeitos do Estado do
Ceará (Aprece); e dos subcontratos entre a Associação e escritórios de
advocacia. O convênio e as subcontratações resultariam no repasse ilegal de
cerca de seis milhões de reais de recursos que deveriam ser destinados,
exclusivamente, à educação, pois são oriundos do então Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).
Ahmedabad
O juiz Francisco Ireilton Bezerra Freire da Comarca de
Icó concedeu, na última quinta-feira (19/07), liminar requerida na terça-feira
(17/09) pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio da
Promotoria de Justiça de Icó, determinando a suspensão de um convênio celebrado
entre aquele Município e a Associação de Municípios e Prefeitos do Estado do
Ceará (Aprece); e dos subcontratos entre a Associação e escritórios de
advocacia. O convênio e as subcontratações resultariam no repasse ilegal de
cerca de seis milhões de reais de recursos que deveriam ser destinados,
exclusivamente, à educação, pois são oriundos do então Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).
No objeto da ação é apresentado que o Município de Icó
celebrou um suposto convênio com a Aprece com o objetivo de reclamar na Justiça
a restituição de valores devidos pela União. Em conseguinte, a Associação
subcontratou os escritórios de advocacia Smart Consultoria e Representações
LTDA e PGA Assessoria Técnica Jurídica S/S LTDA para prestar os serviços
advocatícios. Quando os valores fossem pagos pela União aos Municípios – um
total de R$ 30.087.883,06 que, inclusive, já encontram-se à disposição do Juízo
para execução – os advogados contratados ficariam com cerca de R$ 5,1 milhões
como honorários e a Aprece com R$ 902 mil reais.
A promotora de Justiça Helga Barreto Tavares apresenta na
ação diversos motivos pelos quais o suposto convênio de cooperação técnica, na
verdade, teria natureza jurídica de um contrato e, portanto, deveria ter
ocorrido através de uma licitação, seguindo todos os dispositivos legais. Além
disso, ela aponta que a prática ilegal da Aprece não se limitou ao Município de
Icó, mas ocorreu de forma semelhante e simultânea com diversas Prefeituras
cearenses.
“Percebe-se que não estamos diante de uma mera fraude,
mas de um verdadeiro esquema organizado envolvendo escritórios de advocacia e
agentes políticos. Observa-se a existência de um esquema ilícito para ratear os
recursos do Fundef pertencentes aos municípios entre determinados particulares
participantes do esquema, mediante contratação direta e direcionada mascarada
de convênio e posteriores subcontratações indevidas, com delegação integral do
objeto a escritórios particulares, sem autorização no instrumento, para que
pudessem também partilhar do resultado da ação às custas dos recursos que deveriam
ser destinados à educação”, aponta a promotora de Justiça.
Segundo o promotor de Justiça Elder Ximenes, coordenador
do Centro de Apoio Operacional da Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade
Administrativa (CAODPP), a decisão é inédita, pois os valores estavam na
iminência de serem pagos, mas aponta que existem outros municípios nesta
situação. “É imprescindível barrar estes pagamentos na Justiça, pois os
recursos estão tendo a sua finalidade deturpada. Na mesma ação de Icó também
estão citados os Municípios de Jaguaretama, Limoeiro do Norte, Morada Nova e Pereiro
e as Promotorias de Justiça já estão articuladas para impedir o uso ilegal do
dinheiro público. Enviamos material de apoio aos membros e nos colocamos à
disposição para atuarmos conjuntamente em defesa da sociedade cearense”,
reforça. Ele informa ainda que a força-tarefa conta com a colaboração do
Ministério Público de Contas, Ministério Público Federal e Advocacia-Geral da
União.
Fonte:
MPCE
Tags:
Ceará