MPCE requer na Justiça o recolhimento de armas entregues pelo Governo do Estado por possíveis falhas de segurança
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O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio
da 26ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, realizou, na
última terça-feira (31/07), um aditamento ao pedido de liminar solicitando à
Justiça o imediato recolhimento das armas distribuídas pelo Governo do Estado
do Ceará aos policiais civis. Segundo o promotor de Justiça Ricardo Rocha, a
arma adquirida é comprovadamente perigosa.
“No próprio site da fabricante, há um alerta para o risco
de disparo acidental em caso de quedas, pois, originalmente, ela não possui
travas. Acontece que a empresa fez um ajuste no equipamento para adicionar uma
trava interna e poder atender ao edital. Defendemos que, como o produto
original não tinha travas, é necessário promover uma nova licitação para que
outras empresas possam entregar armas corretamente fabricadas”, argumenta. Ele
cita ainda a existência de um relatório do Exército norte-americano
recomendando que este modelo de armamento não seja utilizado por falhas de
segurança.
Uma ação civil pública com pedido de liminar foi ajuizada
no dia 10 de abril deste ano, requerendo a desclassificação ou a inabilitação
da empresa ganhadora da licitação para a compra das armas pela razão da
ausência de documentos obrigatórios comprovando a utilização de 3000 armas
(pistolas) em forças policiais ou militares e ausência de informações sobre
falhas no funcionamento do tipo de arma ofertada.
Como a ação judicial continua aguardando apreciação pela
13ª Vara da Fazenda Pública e as armas já foram compradas e entregues à
Polícia, o órgão do MPCE de Defesa do Patrimônio Público realizou o aditamento
de pedido de liminar. Após o ajuizamento da ação, em virtude da urgência e
gravidade do fato, a Promotoria já realizou quatro petições cobrando
posicionamento da Justiça.
“O Estado do Ceará parece não despender a mínima atenção
para o grave problema que se apresenta e que é fartamente explanado na peça
exordial. Mais ainda, tem ignorado a existência da presente ação, tendo em
vista que as armas objeto de licitação foram recebidas e, provavelmente,
circularão nas mãos dos policiais civis do Estado muito em breve. Vão-se quatro
meses desde o ajuizamento da ação e nenhuma medida de urgência foi tomada pela
Justiça. Enquanto isso, as armas já foram recebidas pela SSPCE”, argumenta o
membro do MPCE na nova solicitação à Justiça.
Antes do ajuizamento da causa, a 26ª Promotoria de
Justiça expediu uma recomendação, em 15 de março, ao procurador-geral do Estado
e integrante da Comissão Central de Concorrências do Estado do Ceará, Juvêncio
Vasconcelos Viana, e ao secretário de Segurança Pública e Defesa Social, André
Santos Costa, com o intuito de que houvesse a suspensão imediata do certame
licitatório.
*MPCE
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