Por Henrique Macêdo / Fotos: Mardônio Barros
O artesão e luthier Gil Chagas tem 45 anos de profissão.
Ele nasceu em Juazeiro do Norte e atualmente reside no bairro Araçá, em Aurora,
aonde chegou aos três meses de vida trazido pelos seus pais. O artista começou
seus trabalhos como artesão observando o seu pai e o seu avô atuarem como
carpinteiros. Ele passava mais tempo observando as atividades do seu avô, e a
partir daí sentiu vontade de trabalhar com móveis coloniais, que são bem mais
detalhados.
A fé em Mártir Francisca fez com que o artesão se tornasse
escultor, pois o mesmo já esculpia em madeira pés, braços e cabeças para os
devotos da santa popular de Aurora, e só faltava montar o quebra-cabeça das
esculturas. Após conseguira fazer a sua primeira estátua, se tornou devoto e
atribuiu o feito a santa.
O amor pela profissão fazia com que o artista plástico
faltasse aulas na escola para fazer suas obras. Gil Chagas esculpia escondido
de sua mãe e guardava as suas estátuas de madeira em um local próximo a um
açude. Certo dia o manancial sangrou e suas esculturas foram levadas pelas
águas.
Um senhor conhecido como Pedro 100, que gostava muito de
pescar e morava vizinho à sua residência foi até o açude onde as esculturas
ficavam guardadas, e ao lançar a sua rede no açude pescou além de peixes as estatuárias
do escultor. Posteriormente o pescador entregou as esculturas aos pais de Gil
Chagas que ao descobrirem o motivo da ausência nas aulas disseram que ele
poderia esculpir, mas desde que não faltasse na escola.
O artista é conhecido nacionalmente, tendo sido
destaque nacional em jornais, revistas e programas de TV por várias ocasiões.
Já deu palestras em universidades e foi fonte de pesquisas para a Fundação Casa
Grande.
As dificuldades foram inúmeras para chegar aonde ele
chegou. A principal barreira foi à falta de apoio.
“A elite de Aurora já tinha me visto como artista e não
custava nada os donos do poder de Aurora investir na carreira de Gil Chagas,
mas não investiram. Eu sou filho natural de Juazeiro do Norte, e moro em Aurora
a sessenta anos e um mês, eu só passei três meses em Juazeiro do Norte, com
três meses de vida meus pais vieram pra cá e nunca me reconheceram como cidadão
aurorense”, frisou.
De acordo com Gil Chagas, em Aurora existe uma marcação
política com o artista, pois se qualquer profissional do ramo for eleitor fiel
do partido que está na gestão do município ele será reconhecido, caso o
contrário será detestado.
“Se eu tivesse o apoio da Secretaria de Cultura de Aurora
pra mim seria fácil participar desses eventos, mas eu não tenho apoio da
secretaria,” destacou.
No último dia 10 de setembro o artista recebeu um convite
para participar de um evento cultural em Brasília, mas a sua atual condição
financeira e a falta de apoio por parte do poder público inviabilizou a sua
viagem.
“Em Aurora amigo sempre foi dessa maneira. Se algum
artista se destacou foi com apoiadores de outras cidades ou de outros estados.
O artista sem apoio é a mesma coisa de uma televisão sem imagem amigo. Fazer o
que né?” frisou.
Gil Chagas participou do Festival de Rabecas da Tradição,
no Cine Teatro São Luiz, em Fortaleza, realizado no último dia 22 de julho,
onde representou o Ceará como luthier, conquistando o primeiro lugar.
Ele destacou que o apoio dado por Gilmar de Carvalho foi
fundamental para a sua carreira como luthier.
“Gilmar de Carvalho foi fundamental na minha carreira
para a luthieria, ele é um amigo bem íntimo meu, já o conheço há bastante tempo,”
relatou.
Além do talento para a música e para as esculturas, Gil
Chagas está desenvolvendo um trabalho que representa as funções da matemática,
física e ciência. O projeto está sendo
elaborado para exposição, sendo que inicialmente a proposta é exibi-lo na
Fundação Casa Grande, no município de Nova Olinda, ou na Unifor (Universidade
de Fortaleza).
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