Foto: Arquivo Exame/Abril
Após a enxurrada eleitoral, a vida real volta a se impor.
Começa nesta segunda-feira uma nova greve dos caminhoneiros, com início
previsto em Goiás. Logo no primeiro dia após uma conturbada eleição, o país
parece enfrenta nova rodada de polêmicos embates entre sociedade civil,
representantes de setores comerciais e o Estado.
O motivo da greve é o descumprimento da tabela do piso
mínimo do frete, que os caminhoneiros entendem como uma falha da Agência
Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Segundo os motoristas, as
transportadoras estão pagando um valor abaixo do frete mínimo, além de
“perseguirem” os caminhoneiros que não aceitarem o valor.
A agência ainda estuda maneiras de penalizar o
descumprimento da tabela, e por isso o prejuízo já é sentido pelos
caminhoneiros. O prazo para apresentação de propostas para a ANTT acaba no dia
9 de novembro. Mas é de interesse do governo federal evitar que a greve
prometida para hoje.
Segundo o líder do movimento, Wallace Landim, conhecido
como Chorão, os caminhões que se encontram em situação irregular são impedidos
de deixar as fábricas da cidade de Catalão. “Fiscais da ANTT estão neste
momento nas fábricas fiscalizando os veículos e os regularizando”, afirmou o
líder, que ainda ressaltou que, a partir do momento em que os caminhões são
regularizados, são liberados. “Nossa manifestação está dentro da lei, e só
queremos que as empresas cumpram o piso do frete”, disse.
A paralisação passada trouxe perdas gigantescas para a
economia do país: o setor de transportes sofreu uma queda de 1,4% em relação ao
primeiro trimestre; no mesmo período, o consumo das famílias ficou estagnado,
tendo aumento de somente 0,1%; as exportações sofreram uma retração de 5,5%, e
houve uma queda de 1,8% nos investimentos do país. Além desses números,
analistas projetam um crescimento menor no PIB anual: segundo o Ministério da
Fazenda, a perda será de 1,2 ponto percentual no produto interno bruto de 2018.
Vale lembrar que a tabela em vigor foi feita às pressas,
para encerrar a paralisação de maio. Após um vai e vem de valores e cálculos, o
governo federal fechou com um valor que valerá até janeiro de 2019. Ou seja: é
um potencial enorme abacaxi para o próximo governo eleito. Além da tabela,
houve uma redução em 0,30 real no valor do litro do diesel para caminhoneiros.
Com o cumprimento da tabela, o subsídio, que se encerra no dia 31 de dezembro,
poderia ser extinguido.
Encabeçada pelos caminhoneiros de Goiás, a greve começará
com uma “fiscalização informal”: boqueio de pistas e de entradas das fábricas.
Espera-se que caminhoneiros de Santa Catarina também possam aderir à
paralisação. Se o movimento vingar, o governo já sabe que precisa ser rápido para
evitar o pior.
Fonte: Exame/Abril
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