Foto: Fernanda Siebra
A quinta fase da ‘Operação Expresso 150’, deflagrada pela
Polícia Federal (PF), no dia 10 de outubro, teve como alvo a suposta corrupção
de uma desembargadora, em um processo de restituição de terra, na Região do
Cariri. Os envolvidos estariam disputando terras deixadas por Padre Cícero.
Residências, escritórios de advocacia e uma empresa foram revistados.
A reportagem apurou que mandados de busca e apreensão foram
cumpridos nos escritórios e nas casas dos advogados Paulo Napoleão Gonçalves
Quezado e Paolo Giorgio Quezado Gurgel e Silva. A sede de uma construtora e a
residência do dono também foram revistados, em Juazeiro do Norte. Os policiais
federais apreenderam documentos e mídias, para investigação.
A PF cumpriu seis ordens judiciais, sendo quatro em
Juazeiro do Norte e duas na Capital. A decisão para que a ofensiva acontecesse
é do ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Corrupção
O Ministério Público Federal (MPF) requereu, em novembro do
ano passado, que a Polícia Federal realizasse novas diligências. A suspeita era
de que a desembargadora Sérgia Maria Mendonça Miranda teria recebido R$ 675 mil
em propina, no processo referente à restituição de terras, movido pela Diocese
do Crato.
O empresário Francisco Pereira da Silva, proprietário da
‘FP Construções e Empreendimento Imobiliários’, atual dona de parte dos
terrenos em questão, teria pago os valores. As terras em jogo são heranças do
Padre Cícero Romão Batista, deixadas para dois santos – Nossa Senhora do
Perpétuo Socorro e São Miguel.
Em 1998, o vigário da paróquia de Juazeiro do Norte decidiu
vender parte da herança, um terreno de 750 mil m², no bairro São José, em
Juazeiro. O empresário Francisco Pereira da Silva comprou o bem oferecido pelo
pároco por R$ 85 mil. A área hoje está avaliada em R$ 30 milhões.
Ao tomar conhecimento da transação imobiliária, em 2010, a
Diocese do Crato entrou com uma ação na Justiça para questionar a venda. A
reportagem apurou que um delator revelou ao Ministério Público do Estado
(MPCE), que a desembargadora Sérgia Maria Miranda teria recebido a propina para
decidir sobre uma apelação do processo em favor da construtora.
Assassinato
Francisco Pereira da Silva foi assassinado a tiros, em
Juazeiro do Norte, em julho deste ano. Dois homens alvejaram a vítima, que
dirigia um veículo Land Rover Discovery. O automóvel de luxo caiu em um
barranco e o empresário morreu imediatamente. A Polícia Civil não divulgou se o
homicídio tem relação com a disputa das terras, na Região do Cariri.
A reportagem entrou em contato com Paolo Giorgio, mas as
ligações não foram atendidas. O advogado Paulo Quezado confirmou que a PF
esteve em seu escritório e fez uma cópia de um HD. Ele declarou também que não
reconhece nenhuma irregularidade no transcorrer da ação.
Diário do Nordeste
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