Foto: Reprodução /MPCE
A venezuelana mantida sob regime análogo à escravidão e que
conseguiu fugir da casa onde estava, em Juazeiro do Norte, será acolhida por
uma família em Fortaleza, onde vai trabalhar como empregada doméstica,
recebendo um salário mínimo, alimentação e moradia.
A informação é da Organização Humanitária Fraternidade Sem
Fronteiras, que mediou a vinda da estrangeira ao Ceará. Segundo a instituição,
a venezuelana deveria ter vindo a Russas com outra conterrânea, vindas de Boa
Vista, em Roraima, para trabalhar como empregada doméstica, e não se sabe ainda
como ela chegou em Juazeiro e trabalhou sem receber remuneração.
"A organização, que atua em causas humanitárias desde
2010, em 2017 iniciou o projeto 'Brasil, um coração que acolhe', que possui uma
plataforma com informações e currículos de imigrantes venezuelanos, visando a
possibilidade de acolhimentos no país. No absurdo caso ocorrido no Ceará,
infelizmente, a pessoa acolhida sofreu graves violações aos seus
direitos", afirma.
A Fraternidade Sem Fronteiras coloca que o caso foi um fato
isolado e já teve mais de 180 casos similares bem sucedidos, em pelo menos 15
estados brasileiros. A organização informa que está auxiliando o Ministério
Público do Ceará na elucidação do caso da venezuelana.
Cárcere privado
Uma professora foi presa em Juazeiro do Norte suspeita de
manter uma mulher natural da Venezuela sob condições análogas à escravidão.
Segundo o Ministério Público, ela era obrigada a fazer os serviços de casa e
era mantida em cárcere privado.
A promotora Juliana Mota conta que o caso foi descoberto
porque a venezuelana conseguiu fugir da casa e procurar o Ministério Público.
Ela já estava há três meses na situação. O órgão não informou como ela chegou à
casa da suspeita.
"O local onde ela estava era muito sujo. Ela não tinha
acesso à alimentação da casa, nem a higiene. Ela ficava trancada quando estava
sozinha. Os documentos dela foram retidos pela pessoa. Ela ficava na casa e
cuidava de uma chácara. Ela só tinha alimentação no almoço e no jantar e comia
as frutas que tinha na chácara. Ela já tinha pedido para ir embora algumas
vezes, mas sempre sofria ameaças", conta Juliana Mota.
A suspeita foi detida e levada para a Cadeia Pública de
Juazeiro do Norte. Ela pode ser julgada a uma pena de quatro a 16 anos de prisão.
A venezuelana será encaminhada a um abrigo.
Fonte: G1 CE
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