Bolsonaro diz que tem decreto pronto para reduzir isolamento: 'Estou esperando o povo pedir mais'
Mumbai
Ahmedabad
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Carolina Antunes/PR
O presidente Jair Bolsonaro afirmou, na noite desta
quinta-feira, que pode assinar um decreto para afrouxar o isolamento social nos
estados. Segundo ele, pode-se ampliar o número de profissões que voltarão a
atuar normalmente durante a quarentena. Ele também pediu aos governadores que
"revissem suas posições" no combate ao novo coronavírus.
- Eu tenho um decreto pronto para assinar na minha frente,
se eu quiser assinar, considerando ampliar as categorias que são indispensáveis
para a economia. Eu, como chefe de Estado, tenho que decidir. Se chegar o
momento, vou assinar a MP. Tem ameaça de todo lugar se eu assinar essa medida -
disse, em entrevista à rádio Jovem Pan, na noite desta quinta-feira.
Eu apelo aos governadores e prefeitos que revejam as suas
posições.
Questionado sobre o motivo de não ter ainda assinado o
decreto para reabrir o comércio, Bolsonaro respondeu que "um presidente
pode muito, mas não pode tudo", e que está "esperando o povo pedir
mais".
- Nós temos ali gente poderosa em Brasília que espera um
tropeção meu. Eu estou esperando o povo pedir mais. O que eu tenho de base de
apoio são alguns parlamentares, não são maioria, mas o povo está do meu lado.
Tem que ser responsável. O que muitos governadores mais querem é que eu tome a
decisão para trazer o problema para o meu colo, e se tiver alguma morte, me
crucificar. Na semana que vem, se não voltar o comércio, eu vou ter que tomar
uma decisão. Seja o que o povo quiser.
Bolsonaro voltou a alimentar a batalha com os governadores,
em especial o de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson
Witzel (PSC). Afirmou que os governadores fazem um "trabalho
irresponsável" e sugeriu que agem com motivações políticas para tirá-lo do
cargo.
- Primeiro, com todo o respeito aos governadores, vocês
estão muito mal de porta-voz. Ele porta-voz que vocês elegeram aí é muito ruim
em todos os aspectos, vocês sabem quem é. Faz demagogia barata o tempo todo,
que é o (governador) de São Paulo. Agora não venha esse porta-voz de
discursinho barato, ginasial, falando que o governo tem dinheiro, que tem a
Casa Moeda para rodar. Se rodar a moeda, vem a inflação. Nós não queremos o
caos no Brasil.
Em seguida, partiu para cima de Witzel. Bolsonaro criticou
recentes declarações do governador pedindo que a população não saísse às ruas.
- Agora, não podem alguns governadores, como o do Rio de
Janeiro, na televisão falando: Fiquem em casa, é uma ordem. Está pensando que é
o quê? É ditadura esse negócio aqui, pô? Não é dessa forma que devemos tratar a
população.
O presidente do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais
de Saúde (Conass), Alberto Beltrame, afirmou que um eventual decreto
determinando o retorno das atividades em escala, que produzem aglomeração, é
medida que "não se cumpre".
— Um decreto determinando qualquer situação que contrarie a
proteção à saúde das pessoas e absurdo. E ordem absurda não se cumpre — diz
Beltrame.
Ele ressaltou o apoio dos gestores locais ao ministro
Mandetta e à equipe do Ministério da Saúde que conduzem a crise com base em
evidências científicas e orientações internacionais. Para ele, Mandetta
precisará manter a serenidade que vem demostrando, sem sua avaliação:
— Mesmo diante de diversas desautorizações públicas,
Mandetta permanece conduzindo os processos complexos diante de uma emergência
de saúde internacional com serenidade e responsabilidade.
Fonte:
O Globo
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