STF decide que acordos de redução de salários devem passar por sindicatos
Mumbai
Ahmedabad
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal
(STF), determinou nesta segunda feira (06/4), que os acordos individuais entre
empresas e empregados no caso de redução de salários e de jornada de trabalho,
previstos pela medida provisória (MP) 936, terão efeito após o aval de
sindicatos. As entidades devem ser comunicadas em até 10 dias.
Lewandowski é relator de uma ação, do partido Rede
Sustentabilidade, que questionou no STF a MP editada pelo governo federal que
institui o “Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda”. O
governo argumenta que a medida preserva o vínculo empregatício durante os
efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia. Na decisão, o ministro considera ilegal parte
do texto original da MP.
No entendimento de Lewandowski, os sindicatos não podem ser
excluídos das negociações individuais. “O afastamento dos sindicatos de
negociações, entre empregadores e empregados, com o potencial de causar
sensíveis prejuízos a estes últimos, contraria a própria lógica subjacente ao
Direito do Trabalho, que parte da premissa da desigualdade estrutural entre os
dois polos da relação laboral”, decidiu.
As entidades representativas dos trabalhadores poderão, se
avaliarem necessário, iniciar uma negociação coletiva. Pela decisão do
ministro, contudo, se o sindicato consultado não se manifestar em até 10 dias,
será considerado automaticamente o aval à negociação individual.
O ministro argumentou que a medida cautelar busca proteger
os direitos dos trabalhadores e evitar retrocessos, promovendo segurança
jurídica a todos os envolvidos nas negociações trabalhistas. A decisão é
provisória e ainda precisará ser analisada de forma definitiva pelos demais
ministros do STF.
“Não há acordo entre patrão e empregado. O que há é a
vontade no patrão em primeiro lugar. A decisão do ministro, diante dos pontos
inconstitucionais da MP de Bolsonaro, vem para preservar os trabalhadores e
evidencia o quão são importantes as entidades sindicais. São os sindicatos que,
em momentos como esses, fazem a defesa dos interesses da classe trabalhadora”,
ressalta a presidenta da Fetamce, Enedina Soares.
Com informações
Agência Brasil
Tags:
Brasil
